Em mais um dia de mochilão, saindo de Cochabamba para chegarmos na cidade de Torotoro, a cidade dos dinossauros na Bolívia.
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A Caminho da Terra dos Gigantes
Com o sabor do café da manhã de Cochabamba ainda na boca, embarquei em uma van rumo à “calle grande”, onde garanti meu bilhete para o que seria uma jornada no tempo. O destino? Torotoro, a lendária cidade dos dinossauros, cujo nome, se não me engano, curiosamente significa “Lama-lama”. E fazia todo sentido: milhões de anos atrás, esta era uma terra lamacenta onde gigantes pré-históricos deixaram suas marcas indeléveis, hoje as pegadas de dinossauros mais incríveis do mundo, preservadas pela sedimentação do tempo.


A viagem de Cochabamba até lá, que antes levava cinco horas, agora se resumia a umas agradáveis três horas de estrada pavimentada. E valeu cada minuto! A paisagem era um espetáculo à parte, revelando vilarejos pitorescos e simples. Observar a vida cotidiana dos bolivianos, tão autêntica e distante dos centros urbanos, era como espiar por uma janela para outra dimensão, um vislumbre genuíno da cultura local: crianças brincando na rua de terra, mulheres tecendo coloridos ponchos e o cheiro de lenha queimando no ar, um convite à imersão.
Primeiras Impressões em Torotoro
Após algumas horas de estrada, finalmente cheguei em Torotoro. O primeiro passo foi encontrar um lugar para almoçar, e acabei descobrindo um restaurante que também funcionava como hostel, com um teto espetacular: cheio de estalactites, uma formação rochosa natural que dava um toque mágico ao ambiente.


Barriga cheia, segui para o meu hostel para o check-in e, em seguida, me permiti caminhar sem rumo pela cidade.


Torotoro pulsa em torno do clima “dinossauro”, com referências por todos os lados. Mas, além dos gigantes do passado, o que mais me chamou a atenção foi o fascinante encontro entre o antigo e o novo que se manifesta nas pessoas e na arquitetura. É comum ver moradores com vestimentas tradicionais, alguns dos quais falam apenas quéchua, a língua ancestral, o que tornou a comunicação um desafio divertido e uma experiência cultural riquíssima. Conheci a prefeitura, a pracinha central, o ginásio esportivo, e cada canto revelava um pouco mais dessa cidade única.




Explorando a Trilha Vergel: Pegadas e Cânions de Tirar o Fôlego
À tarde, fui até a entrada do Parque Nacional Torotoro. Para acessar as trilhas, é obrigatório comprar um ingresso (válido por quatro dias) e contratar um guia local. Com meu tempo limitado – pretendia passar apenas uma noite na cidade –, optei por fazer a trilha Vergel, considerada a principal. Fui acompanhado por um simpático casal, o que tornou a experiência ainda mais agradável, especialmente por estarmos hospedados no mesmo hostel, o que facilitou a combinação.


A trilha Vergel nos conduziu por diversos pontos de interesse incríveis. O caminho é pontilhado por inúmeras pegadas de dinossauros, algumas tão nítidas que parecia que os gigantes haviam acabado de passar por ali.







Mas o ápice, sem dúvida, foi o mirante dos cânions. A vista de lá é simplesmente deslumbrante! A imensidão e as formações rochosas esculpidas pela natureza são de tirar o fôlego, um convite à contemplação e à admiração pela grandiosidade da paisagem.

O percurso culmina na refrescante cachoeira Vergel, onde pudemos nos banhar e relaxar depois da caminhada. É uma experiência imperdível!


Cultura Local e Sabor Boliviano
Depois de retornar da trilha, a noite nos reservava mais surpresas. Tive a oportunidade de participar de uma pequena festa local, uma verdadeira imersão na cultura boliviana. Foi ali que provei o “singani”, uma bebida destilada de uva, considerada a bebida nacional da Bolívia, e o “pique macho”, um prato farto e delicioso feito com pedaços de carne bovina, salsicha, batata frita, cebola, tomate, pimentão e às vezes até um ovo cozido, tudo temperado com molho picante. Ambos são muito bons e definitivamente recomendo a quem visitar a Bolívia!

Com o corpo cansado da trilha e a alma nutrida pelas descobertas e pela hospitalidade local, voltei para o hostel para descansar. No dia seguinte, uma nova aventura me aguardava, rumo à efervescente La Paz.
Acompanhaê!!!
Índice da aventura
- Planejamento da viagem “Los Desiertos”
- 20/02/2023 – Corumbá (MS/BRA) e Puerto Quijaro (BOL)
- 21/02/2023 – Santa Cruz de la Sierra
- 22/02/2023 – Cochabamba
- 23/02/2023 – Torotoro
- 24/02/2023 – Deslocamento de Torotoro x Cochabamba x La Paz
- 25/02/2023 – La Paz
- 26/02/2023 – La Paz – Estrada da Morte
- 27/02/2023 – La Paz – Chacaltaya e Valle de la Luna
- 28/02/2023 – Copacabana
- 01/03/2023 – Isla del Sol
- 02/03/2023 – Deslocamento da Isla del sol x Copacabana x La Paz x Sucre
- 03/03/2023 – Sucre
- 04/03/2023 – Deslocamento de Sucre x Potosí
- 05/03/2023 – Potosí
- 06/03/2023 – Deslocamento de Potosí x Uyuni
- 07/03/2023 – Salar de Uyuni – Dia 1
- 08/03/2023 – Salar de Uyuni – Dia 2
- 09/03/2023 – Salar de Uyuni – Dia 3 – Chegada no Deserto do Atacama (CHL) e um Passeio por San Pedro do Atacama
- 10/03/2023 – Deserto do Atacama – Valle de la Luna
- 11/03/2023 – Deserto do Atacama – Pukara de Quitor e Catarpe
- 12/03/2023 – Deserto do Atacama – Piedras Rojas e Lagunas Altiplanicas
- 13/03/2023 – Deserto do Atacama – Ruta dos Salares
- 14/03/2023 – Volta pra casa



