Acompanhe a transição da travessia pelo Salar de Uyuni rumo ao Deserto do Atacama, com dicas práticas sobre imigração, altitude e os primeiros passos em San Pedro.
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09/03/2023 – Salar de Uyuni – Dia 3
Acordamos bem cedo, tomamos o café da manhã e entramos no carro. Pegamos a estrada ainda no meio da noite, sob um breu total onde não dava para ver quase nada.
Nossa primeira parada foi nos impressionantes gêiseres “Sol de la Mañana”. Ali, recebemos as primeiras orientações do guia, que alertou: todo cuidado era pouco, afinal, cair naqueles buracos ferventes significaria um fim de viagem definitivo. Conhecemos o lugar bem a tempo de assistir ao nascer do sol — um espetáculo incrível. Como fomos os primeiros a chegar, pudemos curtir o visual em paz antes que os carros de outras agências começassem a lotar o espaço.
Quando deu a nossa hora, partimos rumo às Termas de Polques.
O Desafio Congelante (e Fervente) de Polques
Entrar nas termas foi um verdadeiro teste de resistência. Primeiro, porque fazia um frio congelante do lado de fora, então a logística de tirar o casaco e ficar só de sunga exigiu muita coragem. Segundo, porque ao tocar a água, o choque térmico foi gigante: ela parecia quente até demais! O cenário era um paradoxo: congelando por fora, fervendo por dentro.
Conforme o sol subia, o frio diminuía e a temperatura da água ia ficando mais suportável. Deixei o receio de lado e mergulhei. Naquele momento, decidi guardar a câmera e o celular; não filmei nem fotografei quase nada. Apenas fechei os olhos e vivi o presente. No fundo, eu sabia que a viagem da minha vida estava se aproximando do fim, e aquele era o instante perfeito para relaxar e agradecer. E assim o fiz.
Fronteira e Mudança de Pressão
De alma renovada, voltamos para o carro e seguimos até o mirante do deserto “Salvador Dalí”. O lugar leva esse nome porque as formações rochosas e as cores lembram muito as obras surrealistas do pintor, embora ele nunca tenha pisado por lá.
Mais alguns quilômetros de estrada e chegamos aos últimos atrativos dessa grande jornada pela Bolívia e pelo Salar de Uyuni: a Laguna Blanca e a Laguna Verde. Elas ficam imponentes, bem diante dos vulcões Licancabur e Juriques, traçando a linha de fronteira entre o Chile e a Bolívia.
Depois dos últimos cliques, nos despedimos do guia e fomos fazer os trâmites de imigração. Demos a saída na Bolívia e embarquei na van — que eu já havia deixado paga com a agência antes do passeio — rumo a San Pedro de Atacama.
Na alfândega chilena, o controle é rigoroso: tive que descartar minhas folhas de coca e algumas frutas que carregava comigo antes de carimbar a entrada. Eles entregam um documento chamado PDI e é extremamente importante mantê-lo contigo até a sua saída do Chile. Já em território chileno, iniciamos uma descida absurdamente íngreme até a cidade. É nessa hora que a gente realmente toma consciência de quão alta é a Bolívia! Ao chegar lá embaixo, olhei para a minha garrafa de água e ela estava completamente contorcida e esmagada por conta da brusca mudança de pressão e altitude.
Primeiros Passos em San Pedro de Atacama
Assim que desci da van, segui caminhando em direção à minha hospedagem, a Pousada Atacamena. Bastaram alguns minutos pelas charmosas ruas de terra de San Pedro de Atacama para eu finalmente fazer o check-in e deixar a mochila no quarto.
Pé na rua novamente, fui direto para a Plaza de Armas, a praça principal. No caminho, o sol forte logo me lembrou de duas coisas essenciais que eu tinha esquecido no quarto: protetor solar e óculos de escuros.
Aproveitei para explorar uma feirinha de artesanato ali perto. É um corredor super interessante repleto de barraquinhas que vendem souvenirs de cobre — o que faz todo sentido, já que o Chile é um dos maiores produtores desse metal no mundo. Ao sair, tentei visitar a famosa Igreja de San Pedro, logo ao lado da praça, mas as portas estavam fechadas. Sem pressa, continuei caminhando meio sem rumo para sentir o clima da cidade.
Economia, Fritura e Caixas de Papelão
A fome começou a apertar e decidi ir atrás de um restaurante que já estava no meu radar: o Picada del Indio. Como em qualquer cidade turística, quanto mais perto do centro, mais salgados são os preços. Eu sabia que ele não seria o mais barato da viagem, mas estava curioso.
Antes de comer, precisei resolver as finanças: trocar os bolivianos que sobraram por pesos chilenos e sacar um pouco de dinheiro em espécie. Embora use o cartão Wise para quase tudo, ter papel-moeda no bolso é fundamental nessa região. Encontrei uma casa de câmbio que também alugava bicicletas. Como pedalar pelo deserto estava nos meus planos, já deixei o endereço memorizado.
De dinheiro trocado, fui ao restaurante. Para driblar os preços altos do menu principal, acabei pedindo apenas batata frita e frango empanado. Foi uma dose pesada de fritura para um único dia, mas tudo bem, abrir exceções faz parte do roteiro. (Dica de bastidor: nos dias seguintes, descobri que os restaurantes perto do cemitério são bem mais em conta!).
De barriga cheia, saí à caça de um supermercado para abastecer o quarto. No Atacama não existem grandes redes, apenas mercados locais. Acabei no “Valimport Supermarket”, que tem preços mais justos, apesar da variedade limitada. Vale o aviso para quem vai: os supermercados no Chile não fornecem sacolas plásticas. Como eu estava desprevenido, o caixa me deu uma caixa de papelão, e lá fui eu caminhando pelas ruas carregando minhas compras como se estivesse de mudança.
No caminho de volta para a pousada, passei em frente ao Museu del Meteorito e pelo cemitério local. Aliás, descobri que a minha pousada ficava praticamente ao lado do cemitério. Ou seja: silêncio e paz garantidos!
Planejando os Próximos Passos no Deserto Mais Seco do Mundo
Depois de um breve descanso, saí no final da tarde com uma missão: fechar os próximos passeios. Tentei encontrar a filial da agência com a qual fiz o Salar, mas não tive sucesso. Guiado pelas ótimas avaliações do Google, acabei entrando na Atacama Connections.
Fui muito bem atendido por uma funcionária que falava português, o que me fez sentir em casa. Eu tinha planos ambiciosos, mas a natureza ditou outras regras: a subida ao Vulcão Licancabur estava cancelada devido a um alerta amarelo de atividade, e o Valle de la Muerte encontrava-se fechado. Ajustei as expectativas e fechei outras experiências incríveis.
De volta ao quarto, posicionei uma garrafa de água gigante bem ao lado da cama e espalhei alguns recipientes abertos com água pelo ambiente. O Atacama é o deserto mais árido do mundo, e esse truque ajuda a melhorar um pouco a umidade do quarto para conseguir dormir bem.
Com tudo pronto e roteiro na mão, era hora de apagar as luzes. Os próximos dias prometiam ser intensos.
No próximo post…
O Atacama não perdoa os desprevenidos, mas recompensa os corajosos. No próximo post conheço um dos lugares mais impressionates do Atacama, que é o Vale de la Luna.
Acompanhaê!
Galeria de Imagens
Índice da aventura
- Planejamento da viagem “Los Desiertos”
- 20/02/2023 – Corumbá (MS/BRA) e Puerto Quijaro (BOL)
- 21/02/2023 – Santa Cruz de la Sierra
- 22/02/2023 – Cochabamba
- 23/02/2023 – Torotoro
- 24/02/2023 – Deslocamento de Torotoro x Cochabamba x La Paz
- 25/02/2023 – La Paz
- 26/02/2023 – La Paz – Estrada da Morte
- 27/02/2023 – La Paz – Chacaltaya e Valle de la Luna
- 28/02/2023 – Copacabana
- 01/03/2023 – Isla del Sol
- 02/03/2023 – Deslocamento da Isla del sol x Copacabana x La Paz x Sucre
- 03/03/2023 – Sucre
- 04/03/2023 – Deslocamento de Sucre x Potosí
- 05/03/2023 – Potosí
- 06/03/2023 – Deslocamento de Potosí x Uyuni
- 07/03/2023 – Salar de Uyuni – Dia 1
- 08/03/2023 – Salar de Uyuni – Dia 2
- 09/03/2023 – Salar de Uyuni – Dia 3 – Chegada no Deserto do Atacama (CHL) e um Passeio por San Pedro do Atacama
- 10/03/2023 – Deserto do Atacama – Valle de la Luna
- 11/03/2023 – Deserto do Atacama – Pukara de Quitor e Catarpe
- 12/03/2023 – Deserto do Atacama – Piedras Rojas e Lagunas Altiplanicas
- 13/03/2023 – Deserto do Atacama – Ruta dos Salares
- 14/03/2023 – Volta pra casa
























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