Aventura na “Estrada da Morte” na Bolívia. Descida de bike na lendária rota dos Andes, passando por paisagens deslumbrantes, cachoeiras e a adrenalina de um sonho realizado. Um passeio inesquecível!
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Preparativos e o Encontro na Laguna Estrelani


O cheiro do café da manhã ainda estava na memória quando a van da agência parou em frente ao hostel. A adrenalina começou a subir à medida que o veículo se enchia de turistas, uma mistura de rostos curiosos e ansiosos. Depois de alguns minutos de estrada, a paisagem se transformou, e a Laguna Estrelani surgiu, serena, refletindo o céu.

Ali, em meio ao silêncio das montanhas, foi nosso segundo café da manhã e o primeiro ponto de conexão. Vários franceses no grupo, uma oportunidade para testar meu espanhol com um deles e arriscar um “bonjour” com outro, mesmo com o meu francês sendo bem iniciante. A conversa fluiu, a tensão se dissipou, e todos nos sentimos um pouco mais conectados. Foi o momento em que o guia distribuiu os equipamentos de proteção e as bicicletas, lembrando-nos que aquilo não era uma corrida. “Não se preocupem, é só montar e se deixar levar. A gravidade faz o trabalho por vocês”, ele disse, e a ansiedade deu lugar à empolgação.
A Origem do Nome e o Início da Aventura
Com a bike na mão e o número na cabeça, caminhamos até o ponto de partida. O início da descida foi em um asfalto perfeitamente liso, um contraste surreal com o que viria a seguir. Antes de começarmos a descida de verdade, o guia nos contou a história por trás do nome. A estrada, oficialmente conhecida como Camino a Los Yungas, ganhou o apelido de “Estrada da Morte” (Death Road) por um motivo assustador: durante décadas, ela foi a principal rota para carros e caminhões, e seu trajeto estreito, sinuoso e sem proteções causava entre 200 a 300 mortes por ano. Hoje, uma nova rodovia foi construída para o tráfego de veículos, e esta se tornou um ponto turístico de aventura.
Death Raod
Eu estava à beira de um precipício, com as cordilheiras dos Andes se abrindo à minha frente. A paisagem era de tirar o fôlego, o vento batendo no meu rosto enquanto eu descia a estrada. Era o tipo de beleza que faz a gente se sentir pequeno, mas incrivelmente vivo. A primeira parada foi antes de um túnel, um ponto estratégico para nos desviarmos do perigo e nos prepararmos para o verdadeiro desafio. De lá, a descida continuou pela estrada RN3 Bolívia – Caravani. E foi então que a primeira placa da Estrada da Morte apareceu.

Ali, a beleza e o perigo se fundiram em um só caminho. O asfalto deu lugar ao chão de terra e cascalho, e o abismo, antes um detalhe na paisagem, se tornou um protagonista cada vez mais imponente. A cada curva, a paisagem ficava mais selvagem, e a responsabilidade de controlar a bicicleta aumentava.
O Ponto de Parada e as Cachoeiras de San Juan
Por volta do meio-dia, a van nos esperava no Mirador de Chuspipata para um lanche, um momento para recarregar as energias e absorver a intensidade do que já tínhamos vivido.

De barriga cheia, voltamos para a descida, onde a paisagem se tornava cada vez mais exposta e a estrada, mais estreita.


Na segunda placa da Death Road, a natureza nos presenteou com a visão de uma cachoeira imponente, a Cascata San Juan. Mas não era apenas uma vista: o caminho seguia por debaixo de duas quedas d’água. A água gelada respingando em mim e o som forte da queda d’água criaram uma experiência inesquecível. Era um sonho de muitos anos se tornando realidade, e a felicidade de estar ali era imensa.


O Fim Inesperado e o Retorno a La Paz
Infelizmente, a aventura chegou ao fim mais cedo do que o esperado. A estrada estava bloqueada por máquinas de obras, limpando um deslizamento de terra dos dias anteriores.

Foi uma pena, mas nada que tirasse a beleza e a emoção do que já tinha sido vivido. Com as bicicletas lavadas na cachoeira, entramos na van, o cansaço dando lugar a uma sensação de conquista. Ainda fizemos uma pequena parada no meio da estrada para fazer uma “almojanta” e fechar com chave de ouro o passeio.


Um detalhe que ainda não tinha comentado é que os talheres, tanto neste lugar onde comemos, como na maioria dos lugares onde fui na Bolívia, eram da Tramontina. Uma empresa Brasileira.
A jornada de volta a La Paz foi um momento de descanso, uma pausa necessária antes do próximo dia, que seria igualmente desafiador com a ida ao Chacaltaya e o Valle de la Luna.
A noite, ainda usei a caminha que ganhei deste passeio e fui na rua comer um hamburgue no centro de La Paz.


Acompanhaê!!!
Índice da aventura
- Planejamento da viagem “Los Desiertos”
- 20/02/2023 – Corumbá (MS/BRA) e Puerto Quijaro (BOL)
- 21/02/2023 – Santa Cruz de la Sierra
- 22/02/2023 – Cochabamba
- 23/02/2023 – Torotoro
- 24/02/2023 – Deslocamento de Torotoro x Cochabamba x La Paz
- 25/02/2023 – La Paz
- 26/02/2023 – La Paz – Estrada da Morte
- 27/02/2023 – La Paz – Chacaltaya e Valle de la Luna
- 28/02/2023 – Copacabana
- 01/03/2023 – Isla del Sol
- 02/03/2023 – Deslocamento da Isla del sol x Copacabana x La Paz x Sucre
- 03/03/2023 – Sucre
- 04/03/2023 – Deslocamento de Sucre x Potosí
- 05/03/2023 – Potosí
- 06/03/2023 – Deslocamento de Potosí x Uyuni
- 07/03/2023 – Salar de Uyuni – Dia 1
- 08/03/2023 – Salar de Uyuni – Dia 2
- 09/03/2023 – Salar de Uyuni – Dia 3 – Chegada no Deserto do Atacama (CHL) e um Passeio por San Pedro do Atacama
- 10/03/2023 – Deserto do Atacama – Valle de la Luna
- 11/03/2023 – Deserto do Atacama – Pukara de Quitor e Catarpe
- 12/03/2023 – Deserto do Atacama – Piedras Rojas e Lagunas Altiplanicas
- 13/03/2023 – Deserto do Atacama – Ruta dos Salares
- 14/03/2023 – Volta pra casa



