Pedalando no Atacama: Aventura, Rios e o Cansaço na Garganta do Diabo

Vale a pena alugar bike no Atacama? Relato real sobre o passeio a Pukara de Quitor, perrengues cruzando o rio e o cansaço na Garganta do Diabo.

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11/03/2023 – Deserto de Atacama – Pukara de Quitor e Catarpe

Neste dia, logo após tomar o meu primeiro café da manhã no Atacama, saí para a rua focado em encontrar um lugar para alugar uma bicicleta. Consegui uma na Calle Caracoles, exatamente no mesmo estabelecimento onde tinha trocado dinheiro no dia anterior.

Já com a bike em mãos e devidamente paramentado — com capacete, colete, bomba e câmara de ar fornecidos pela locadora —, comecei a pedalar. A cidade estava pacata e um pouco vazia, reflexo das primeiras horas da manhã.

A bicicleta não era tão boa quanto a que me deram quando fiz a descida da Estrada da Morte lá na Bolívia, mas era o que tinha pra hoje.

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O Desafio do Rio Corta-Caminho

Segui pedalando em direção ao rio San Pedro de Atacama. Meu primeiro grande objetivo era visitar o sítio arqueológico Pukara de Quitor, que ficava do outro lado da margem. Como o rio é bem raso e estreito, uma ponte ali seria até exagero. Sendo assim, a regra é clara: se você estiver de bicicleta e quiser atravessar, vai ter que molhar os pezinhos.

Lá fui eu tirar as botas para encarar a água. Enquanto eu atravessava, outros ciclistas chegaram e me acompanharam na missão. Até um carro baixo (sem ser 4×4) passou por ali sem grandes dificuldades. Já na outra margem, recoloquei os calçados e pedalei firme até a entrada do sítio.

Desbravando Pukara de Quitor

Como não estava carregando muito dinheiro em espécie, balancei na dúvida se a entrada de Pukara de Quitor seria paga. Ingenuidade minha, claro! Paguei a taxa com o meu cartão Wise, guardei a bicicleta no bicicletário e comecei a exploração a pé.

O caminho é repleto de placas que explicam a importância e a história local — vale muito a pena parar para ler. Depois de visitar o pequeno museu que funciona ali dentro, comecei a subida propriamente dita.

O trajeto conta com vários mirantes estratégicos, mas a grande recompensa surge no topo: uma vista simplesmente espetacular. Assim que alcancei o ponto mais alto, aproveitei uma sombra para descansar e contemplar. O topo oferece uma visão privilegiada e panorâmica da imensidão do Deserto do Atacama.

Mudança de Planos em Catarpe

Depois de registrar um milhão de fotos, comecei a descida de volta para a bicicleta. O próximo destino do roteiro era a portaria de Catarpe. Para isso, adivinhem? Tive que cruzar o rio mais uma vez.

Ao chegar na bilheteria de Catarpe, paguei a entrada e parei para conversar com os guarda-parques. Minha ideia inicial era pedalar até um famoso túnel da região, mas eles me alertaram que o acesso estava fechado devido a muitos buracos e ao alto risco de acidentes. Explicaram também que, se eu insistisse em ir, outros ciclistas me seguiriam, gerando um problema de segurança para a administração do parque. Diante do pedido gentil, achei melhor não contrariar as autoridades locais.

Ajustei a rota, paguei o ingresso e segui em direção ao mirante principal, passando pela célebre Garganta do Diabo.

O Cansaço Silencioso da Garganta do Diabo

No caminho até a Garganta do Diabo, é necessário cruzar mais um pequeno riacho. Logo após uma pontezinha, há um banco convidativo sob a sombra de uma árvore. Ali é o ponto de decisão: ou você entra no cânion da Garganta do Diabo ou segue reto rumo à igrejinha de Catarpe.

A essa altura, o cansaço já estava cobrando o seu preço. Mesmo assim, decidi manter o plano: encarar a Garganta do Diabo, subir ao mirante e, na volta, esticar até a igrejinha. Porém, o deserto prega peças. Conforme você avança pelo cânion, percebe que está em uma subida suave, mas constante, daquelas que vão minando as pernas aos poucos. Tentei alcançar o topo do mirante, mas a exaustão me venceu e decidi dar meia-volta.

Foi aí que tive a certeza de que tinha subido o tempo todo: no caminho de retorno, eu mal precisei pedalar. A bicicleta descia sozinha, embalada pelo vento.

Depois de refazer todo o percurso de volta e chegar ao centro de San Pedro de Atacama, devolvi a bicicleta e fui direto para a pousada Atacamena tomar um banho e descansar. O corpo pedia trégua, e eu precisava recuperar as energias. A noite, ainda pensei em fazer o passeio turístico para ver as estrelas, mas resolvi usar a minha própria câmera (com a lente angular) e fazer minha própria foto dali da pousada.

No próximo post

Preparem-se, porque o cansaço desse dia valeu a pena. No dia seguinte, o roteiro guardava dois dos cenários mais surreais e fotogênicos de toda a viagem: as impressionantes Piedras Rojas e as místicas Lagunas Altiplânicas. Você não vai querer perder!

Acompanhaê!


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